Caboclo
Poema de Raul Bopp
Caboclo triste, de cara enrugada,
fica sentado à porta do rancho.
Fuma.
Não conversa com a mulher.
Os olhos endureceram
naquela solidão da linha do mato
mutilado a machado.
O escuro apaga as árvores.
Fogo desanimou na cozinha.
Mia um gatinho magro no terreiro:
M-i-s-é-r-i-a
Queixam-se os sapos
naquele silêncio enorme.
Nada lhe adoça os pensamentos apagados
- alma copiada pela geografia.
Cresce a área das derrubadas,
áspera,
eriçada de tocos de árvores.
Caboclo cisma
dentro do seu horizonte limitado pela linha do mato.
Fuma o cigarro lento.
Miséria.
Fonte: "Poesia completa de Raul Bopp", José Olympio Editora, 2014.
Originalmente publicado em: "Cobra Norato e outros poemas", Dau al Set, 1954.