A volta (Cidade da Cachoeira II)

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Poema de Myriam Fraga



Não existem redomas
Nem aquários.

Há tentáculos,
Ventosas nas paredes
E monstros que fugiram
Do dilúvio.

A solidão cavou
Seu próprio túnel,
E não há proteção
Contra o futuro.

Estilhaços de tempo
São teus dias
Nesta caixa de vidro
Espedaçada.

Nem te limita
O que trazes no regaço
Nem te protege o amor.

Estás sozinha.




Fonte: "Poesia reunida", Oiti, 2021.
Originalmente publicado em: "O risco na pele", Civilização Brasileira, 1979.