186. Rubiataba
Poema de crroma
As palmeiras imperiais
de uma praça em Rubiataba
atraíam araras-canindé, que nelas nidificavam.
Era das coisas mais bonitas do mundo o voo das aves.
Quase patrimônio municipal.
Um morador as considerou importunas.
Ou apenas alvos alados.
Aferrou-se de sua arma.
De tardezinha, com caprichada pontaria,
à bala fulminava as araras-canindé.
Despencavam mortas do céu como frutos coloridos.
Elas logo debandaram,
deixando o céu de Rubiataba vazio.
(Do G1: 'Araras são mortas a tiros, e moradores se revoltam: 'Absurdo'')