185. Confidência de Minas
Poema de crroma
Minas de montanhas corroídas.
Minas desfeita de ferro por estrangeira avidez.
Permanecem sobras em camadas: pilhas.
Estéreis um pouco as pessoas.
Rejeitos pelas histórias.
E a suspensão melancólica de quando se dão rompimentos.
Sem o ferro, perde-se também a empatia
com que se tece de comum o cotidiano.
Alguém se desencontra da vida nas calçadas,
outra nem sonha sob os viadutos.
Impõe-se o hábito de conviver com sofreres
ou - amargor resoluto - apenas divisá-los.
A teimosa extração das essências de Minas fixou-se em coloniais arquiteturas,
belas de uma cauta antiguidade.
Aboliu o projeto de modernidade de um, agora, confuso horizonte.
Porém o orgulho, o ato
de deferente obstinação, ainda persistem.
Tiram o ferro, tiraram ouro, diamantes.
Tiraram-lhe vastidões de madeira.
Extraíram até os povos
do que era antes origem,
uma terra não Minas,
fértil de possíveis destinos.
(Da ALMG: 'Ambientalistas cobram regulamentação de pilhas de rejeitos da mineração no Estado')