182. Vale do Jequitinhonha


Poema de crroma



Vale do Jequitinhonha pródigo seco.
Estica ribeirões até às tripas.
O céu sorri de azul agravo
na paisagem amarrada de arames.
Os solos coam o sol em pó e pedregulhos.

O vale fabrica pessoas de função enraizada.
Molda as mulheres em moringas.
Trabalham de rios pelo avesso.
Sobrecarregadas por caminhos ermos
que podem encardir de perigos.

As jornadas se varam de dobros ou triplos.
Mulheres afincadas entre reflexões do árido,
carregam água para o roçado, as crianças, os animais.
Emblemas do liquido mais do que torneiras.
Perpetuam o incolor desperdício de si mesmas
no costumeiro servir aos outros sem primaveras.




(Do O Tempo: 'Falta d'água afeta mais a vida das mulheres em cidades do Vale do Jequitinhonha, em MG')